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Estudantes de Vertentes (PE) desenvolvem pavers a partir de casca de castanha de caju e chegam à semifinal do Solve for Tomorrow Brasil

30-09-2026

Projeto transforma resíduo agroindustrial em blocos para pavimentação e busca oferecer alternativa mais leve e econômica para calçadas e espaços comunitários

Grupo de seis pessoas posa para foto segurando uma bandeira azul e branca com o nome da Escola Gil Rodrigues
Equipe responsável pelo projeto ‘Pavers Sustentáveis’, semifinalista do Solve for Tomorrow Brasil 2026

Resumo AI

  • Estudantes de Vertentes (PE) estão entre os semifinalistas da 13ª edição do Solve for Tomorrow Brasil com um projeto que transforma cascas de castanha de caju em pavers para pavimentação.
  • A solução utiliza a biomassa triturada da casca para desenvolver uma alternativa mais leve, econômica e de menor impacto ambiental para calçadas e espaços comunitários.
  • O projeto busca valorizar pequenos produtores e fortalecer a economia local, além de diminuir resíduos que podem contaminar o solo.

Estudantes da Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Gil Rodrigues, em Vertentes (PE), estão entre as 30 equipes semifinalistas da 13ª edição brasileira do Solve for Tomorrow, programa de Cidadania Corporativa da Samsung, com coordenação geral do Cenpec no Brasil. A iniciativa é conhecida por incentivar estudantes e professores da rede pública a desenvolverem soluções para desafios reais da sociedade por meio da abordagem STEM (sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

O grupo de três estudantes do 2º ano do ensino médio desenvolvem o projeto ‘Pavers Sustentáveis a partir da Casca de Castanha de Caju’, que propõe transformar um resíduo gerado pelo processamento da castanha em matéria-prima para blocos de pavimentação. A iniciativa busca enfrentar simultaneamente um desafio ambiental da região e a necessidade de materiais acessíveis para a infraestrutura urbana.

“Temos uma produção acentuada de castanha de caju na região e percebemos o impacto que o descarte da casca pode causar no solo. Visitamos comunidades e conversamos com pessoas que trabalham com a castanha e percebemos que havia um problema ambiental, mas também uma oportunidade de transformar esse resíduo em algo útil. Foi aí que começamos a pensar no paver”, explica João Paulo da Silva, professor orientador do projeto.

O objetivo da equipe é desenvolver e avaliar diferentes composições do material até identificar uma formulação que apresente características adequadas de resistência e aplicação. Os estudantes também estudaram diferentes possibilidades de formato, peso, estrutura e acabamento para chegar a um protótipo com características adequadas para utilização em pavimentação.

Uma das características investigadas pela equipe é a possibilidade de produzir os blocos sem a utilização de um forno tradicional, comum em processos de fabricação de alguns materiais de construção. O grupo trabalha com uma metodologia que utiliza a exposição à luz solar durante o processo de produção, buscando simplificar a fabricação e reduzir a necessidade de estruturas específicas.

Além do reaproveitamento do resíduo, os estudantes avaliam a possibilidade de utilizar os pavers em espaços da própria comunidade. A equipe planeja aplicar os primeiros protótipos em uma calçada da escola e já desenvolveu uma proposta visual para uma praça que poderia ser construída com o material. A iniciativa também busca valorizar as pessoas envolvidas na cadeia produtiva da castanha, formada principalmente por pequenos agricultores e trabalhadores das comunidades locais.

“Quando colocamos o aluno diante de um problema real, ele precisa buscar conhecimentos de diferentes áreas para encontrar uma solução. Para desenvolver o paver, eles trabalham com Química Ambiental, Física, Química e Matemática, inclusive para calcular peso, proporções e analisar gráficos. A teoria passa a fazer sentido porque está conectada a algo que eles estão construindo com as próprias mãos”, destaca João Paulo.

O projeto também levou os estudantes a ampliarem o olhar sobre o impacto da atividade de processamento da castanha na comunidade. Durante as visitas e conversas com produtores, a equipe identificou outros desafios relacionados à exposição aos resíduos e passou a pensar em iniciativas que pudessem contribuir para a valorização da produção local. Entre essas ações está a elaboração de uma proposta de projeto de lei para fortalecer a atividade dos pequenos produtores e incentivar o apoio de instituições públicas.

Estudantes participam de uma atividade prática ao lado de uma estrutura vertical, utilizando ferramentas e equipamentos para realizar testes e medições
Alunos de Vertentes (PE) trabalham no projeto ‘Pavers Sustentáveis’

“O projeto desenvolvido pelos estudantes de Vertentes mostra como a inovação pode partir de um recurso presente no território e transformar um desafio ambiental em oportunidade. Ao investigar o reaproveitamento da casca da castanha de caju, a equipe conecta ciência, sustentabilidade e desenvolvimento local, além de buscar uma aplicação concreta para a solução. Esse olhar para a realidade e a capacidade de transformar conhecimento em ação são exemplos do protagonismo que o Solve for Tomorrow busca estimular”, afirma Helvio Kanamaru, Diretor de ESG e Cidadania Corporativa da Samsung para a América Latina.

“Projetos como o Pavers Sustentáveis mostram que a escola pública pode ser um espaço de encontro entre conhecimento, território e transformação social. Ao investigar um problema ambiental relacionado à produção de castanha, dialogar com a comunidade e desenvolver uma solução que pode ser aplicada em seu entorno, os estudantes ampliam o que aprendem em sala de aula e passam a olhar para o território de forma mais crítica. Essa experiência também mostra que a educação pode contribuir para que adolescentes e jovens se reconheçam como sujeitos capazes de participar da construção de respostas para os desafios de suas comunidades”, afirma Beatriz Cortese, diretora executiva do Cenpec.

A equipe está atualmente realizando testes de resistência dos pavers e avaliando os resultados obtidos com os diferentes traços desenvolvidos. Amostras também foram encaminhadas para instituições parceiras, incluindo a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), para análises relacionadas à eficiência e às características do material.

“Estamos fazendo os testes de resistência e planejando aplicar os pavers em uma calçada da própria escola. A ideia é que esse pequeno espaço seja uma demonstração de que a pesquisa pode sair da escola e chegar à comunidade. É também uma forma de reconhecer as pessoas que fazem parte dessa cadeia produtiva e mostrar que um resíduo pode ganhar uma nova função”, conta João Paulo.

Para o professor, participar do Solve for Tomorrow também transformou sua própria maneira de ensinar. Segundo ele, o programa cria oportunidades para que os estudantes avancem de uma aprendizagem baseada apenas em conceitos para uma experiência em que precisam aplicar o conhecimento, tomar decisões e lidar com problemas que não têm respostas prontas.

“Eu não imaginava que chegaria ao ponto de desenvolver um projeto de lei junto aos meus alunos, mas o projeto nos levou a isso. É nesse sentido que o Solve for Tomorrow nos desafia a pensar fora da caixa. Hoje, eles estão mais independentes e conseguem articular muito bem o projeto porque precisaram superar várias barreiras e adaptar o trabalho à nossa realidade. É uma experiência desafiadora, mas muito enriquecedora”, finaliza.

O que é o Solve for Tomorrow Brasil?

O Solve for Tomorrow Brasil é o programa global de Cidadania Corporativa da Samsung que incentiva estudantes do Ensino Médio de escolas públicas a desenvolver soluções inovadoras para desafios reais, com base na abordagem STEM. Entre os destaques da iniciativa estão:

  • Educação com impacto real: estudantes desenvolvem soluções para desafios identificados em suas comunidades
  • Abordagem STEM: integração de ciência, tecnologia, engenharia e matemática na prática
  • Aprendizagem Baseada em Projetos (PBL): foco em protagonismo, criatividade e trabalho em equipe
  • Mentorias e capacitação: apoio de especialistas ao longo de toda a jornada

O Solve for Tomorrow Brasil chega a 13ª edição com crescimento1 de 7,7% no número de projetos inscritos em comparação ao 2025. Além do aumento no volume de propostas, a edição de 2026 apresentou avanços significativos no que diz respeito à diversidade dos participantes, com aumento de 11% na participação feminina (considerando estudantes mulheres), além da ampliação de 3% no número de escolas quilombolas e instituições localizadas em áreas rurais.

Qual é o impacto do Solve for Tomorrow Brasil?

O Solve for Tomorrow já alcançou mais de 442 mil alunos e professores de escolas públicas em 21 países da América Latina, promovendo experiências de aprendizagem prática, colaboração e desenvolvimento de competências essenciais para o futuro. A edição brasileira conta com a coordenação geral do Cenpec e o apoio de parceiros institucionais comprometidos com o fortalecimento da educação pública e da inovação.

Calendário Solve for Tomorrow Brasil 2026

  • 16 de outubro: anúncio dos 10 finalistas do Solve for Tomorrow Brasil 2026
  • 19 de outubro a 27 de novembro: Mentoria para as equipes finalistas
  • 23 de novembro: abertura da votação pelo Júri Popular
  • 8 de dezembro: anúncio dos vencedores por categoria

Essas e outras informações sobre o Solve for Tomorrow Brasil estão disponíveis no site oficial do programa e na Samsung Newsroom Brasil. 

  1. Dados internos Samsung considerando os projetos válidos. Comparativo entre os anos de 2025 e 2026. ↩︎
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